ZOOLÓGICOS - VILÕES OU ALIADOS?


VISITA TÉCNICA AO ZOOLÓGICO GRAMADO ZOO
VILÕES OU ALIADOS?


Os zoológicos surgiram com o intuito de exibir os animais capturados há muito tempo atrás. Os reis eram os principais, ou únicos, que tinham essas “coleções de espécies”. Os mantinham em jaulas pequenas sem um ambiente adequado para a sua sobrevivência física e psicológica. Posteriormente os circos também utilizam animais como, por exemplo, leões, macacos e elefantes em seus espetáculos. Muitas vezes eram maltratados até chegar ao ponto de domesticação para o divertimento do público. Passavam fome, estresse e viajavam por várias horas em cubículos onde só poderiam se deitar.
 Com o passar dos anos começaram a pensar no bem estar dos animais. Criaram zoológicos para mantê-los com uma área para conseguir caminhar, alimentação controlada, veterinários a disposição. Porém continuou com o objetivo de exibição ao público, até que se pensou na conservação das espécies ameaçadas ou nativas da região, mas não se sabe se todos os locais seguem as leis e normas regulamentadoras exigidas. Atualmente, alguns zoológicos estão focando no bem estar físico e psicológico de cada espécie individualmente. Buscando melhorias nos recintos, chegando mais perto possível da vida livre, conservando a espécie e tentando reintroduzi-la na natureza.  Há vários pontos de vista sobre a palavra zoológico. Seria uma coleção de espécies em cativeiros, somente para exibição? Ganhar dinheiro com sofrimento dos enjaulados? Seria para conservação?
O Gramado Zoo, zoológico localizado na cidade de Gramado – RS, só possui animais vítimas de acidentes de trânsito, maus tratos e de apreensões do tráfico. Trabalham com a reabilitação, introdução no recinto, educação ambiental e, dependendo da espécie e condição, na reintrodução da mesma na natureza.  Porém nem todos os zoológicos são assim e, nesse caso, precisa-se de solução. Como o Projeto de Lei 6432/2016 descreve:

... a maioria dos zoológicos, parques e aquários do País estão em situação precária. Uma boa saída para o problema é converter os zoológicos em espaços interativos de educação ambiental ou clínicas para animais vítimas de tráfico ilegal, acidentes e maus tratos, independentemente, de serem animais silvestres.

            A educação ambiental realizada pelo zoológico está focada na falcoaria que acontece com os visitantes aos sábados. Aves de rapina que não conseguem mais voar devido a acidentes e maus tratos participam desta atividade. Como a Kunhai, uma coruja Jacurutu que perdeu a asa direita por causa de uma paulada; o gavião Quiriquiri atingido por chumbinho e o gavião carrapateiro atropelado que não consegue mais abrir a asa direito corretamente para o vôo. Nesta atividade é falado da importância destes animais na natureza, desmistificando crenças e contando a história de cada espécie. O veterinário responsável fala muito sobre a confiança que a coruja tem nele, não deixando o público acaricia-la para não estressa-la.


Foto autoral

Foto autoral















Os recintos são adequados para os animais, sendo de 3 até 10 vezes maior que o mínimo estipulado para a espécie, sempre buscando ter vegetação para fazer sombra e ser utilizado como refúgio desde as aves até os felinos maiores. Possuem lagoa, galhos e mangueira de combate a incêndio para o enriquecimento ambiental, como redes para os primatas e camas suspensas para os felinos. Para os mamíferos menores o recinto fechado é acompanhado de um aquecedor para manter uma temperatura adequada nos dias mais frios. O recinto da serpente também possui aquecedor o qual a aquecia durante a nossa visita. O foco não é as pessoas verem os animais, mas sim o bem estar deles. Muitas vezes os visitantes não veem o lobo guará, o queixada e o cateto por causa da vegetação e por que se esconderem nela.

            Animais mantidos em cativeiros tendem a ser estressados e não foi o que observamos no Gramado Zoo. As aves e os primatas bem tranquilos e curiosos; os jacarés do papo amarelo se esquentando no sol; o puma muito interessado em tentar pegar o seu pedaço de peixe no meio de feno e casca de árvore, o mesmo com o lobo guará. A única exceção foi a jaquatirica que apresentava comportamento estereotipado, ficava andando de um lado para o outro, porém estava na hora da alimentação e não tinha chegado ainda.
            Conforme a legislação o local apresenta conforto e segurança para os animais e para os visitantes como a LEI Nº 7.173 decreta:

Art. 7° - As dimensões dos jardins zoológicos e as respectivas instalações deverão atender aos requisitos mínimos de habitabilidade, sanidade e segurança de cada espécie, atendendo às necessidades ecológicas, ao mesmo tempo garantindo a continuidade do manejo e do tratamento indispensáveis à proteção e conforto do público visitante (1983).

Como lido nos textos relacionados o fechamento dos zoológicos não é uma opção. Os animais que tenham a chance de voltar para a vida livre na natureza, e que tenham um plano de reintrodução da espécie, são encaminhados do Gramado Zoo para esses projetos. Mas e os que não têm mais essa chance por estarem fisicamente incapacitados de voar, de procurar alimento, com a visão comprometida? Não teriam onde ficar e morreriam se fossem soltos. 
            Também não se pode generalizar e dizer que todos os zoológicos têm a mesma estrutura e capacitação de pessoal para dar uma vida digna aos animais que precisam. É necessária uma fiscalização mais rígida nesses locais, incluindo na segurança para que não ocorram mais casos de crianças caindo em recintos e os encarregados pelo zoológico tendo de sacrificar o animal que não fez nada para isso acontecer. Precisa-se também de bom senso e conscientização das pessoas para que não retirem animais do seu habitat natural, de empatia com o próximo para não maltratar, porque se existisse essas qualidades nas pessoas não existiriam tantos casos de animais sofrendo e morrendo e precisando de ajuda. Deveria existir, ou talvez existam, outros zoológicos como o Gramado Zoo.

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